terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Rituais curiosos

(Antes de mais peço desculpa pelo atraso e consegui, finalmente, cumprir o meu de sejo de escrever uma posta que não seja baseada em algo que se passou nos EUA).
Encontrava-me visionando ociosamente televisão há uns dias antes de me ir deitar quando me deparei com um documentário que falava sobre festivais xintuístas que decorrem no Japão.
Um destes festivais incluia um torneio em que crianças com apenas alguns meses de idade (eles ainda nem gatinhavam) se defrontavam umas às outras. Eram colocadas num ringue semelhante ao do sumo, com um árbitro vestido de forma não muito diferente dos árbitros do sumo e em que as crianças se degladiavam. Não, não era no torneio de sumo para crianças dos 6 meses e dos 34 kg. Também não era num torneio de videojogos ou numa guerra com catanas. A ronda era ganha pelo bébé que chorasse primeiro. Isso mesmo, o seu puto reguila que lhe faz a cabeça em água todas as noites poderá tornar-se num vencedor no Japão.
OK é preciso explicar umas coisas. O torneio realizava-se num mosteiro onde se acreditava que o espírito de um monge muito mau que ali tinha vivido há muito tempo (se não estou em erro o festival realiza-se desde há 500 anos) era afastado pelo choro de uma criança. Ok, o choro de uma criança pode não ser a coisa mais melodiosa do mundo, sobretudo se fôr às 4 da manhã após um dia de trabalho extenuante, seguindo-se outro igual na manhã seguinte, mas daí a afastar espíritos... Para além disso eles acreditam que uma criança que chore terá boa sorte (Já viu, essas noites passsadas todas em claro serviram para demonstrar que o seu filho ganhará o euromilhões! Regozije!). Por isso fizeram este torneio.
O engraçado é que, apesar do carácter sagrado da coisa, há mães que fazem batota, puxando o cabelo ou dando beliscões ao filho de forma discreta. Tudo isto para... Confesso que, se eles ganham alguma coisa, para além da boa sorte e de afastarem do espírito do monge (ainda pensei em pôr uma piada em como aqui se via que o espírito não era católico porque se fosse não fugia das crianças, antes pelo contrário, mas achei que era melhor não pôr para não ferir susceptibilidades), eu não ouvi.
Ainda mais interessante (ou não) foi o ritual seguinte que eu não vi até ao fim porque entretanto tive de ir dormir. Como, ainda há mais tempo, houve um padre (não sei o termo correcto para os xintuístas) que, para correr com a má sorte da aldeia onde vivia, a perseguiu pela aldeia todo nu (e o que a má sorte deve ter corrido nesse dia), hoje em dia, na cidade que foi em tempos essa aldeia, escolhem um homem (e ser-se escolhido é uma grande honra), e ele tem de atravessar a cidade todo nu. Para além de ter atravessar a cidade todo nu, 10000 outros homens estarão, envergando um traje semelhante ao dos lutadores de sumo (que mais parece uma fralda) a tentarem tocar-lhe. A pratir daqui não apanhei a totalidade dos pormenores mas parece que tocar no homem nu dá sorte e não há senhoras envolvidas e parece que há ossos partidos e às vezes mortes, um bocado como nas largadas de touros em Espanha.
Sim, isto é o que o povo que mais trabalha no mundo faz nos poucos tempos livres e férias... Pois...

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