quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Observando filosofias

As melhores postas são observando acontecências.

Encontrava-me para apanhar o comboio no cacém mas este estava com problemas (o comboio), e aparentemente já se encontrava parado há algum tempo quando cheguei à estação. O que se sucede após alguns momentos de alguns gritos, correrias para tentar ver o que se passava, reclamações de quem estava à espera, uma ou duas bananas e alguns rituais satânicos da senhora estranhamente pálida ao meu lado (em que eu ajudei – vá lá, estava enfastiado com a espera e é sempre agradável usar os intestinos de galinhas vivas para falar com demónios – aquele Baalor de hoje era um ganda maluco) vem um comboio na linha contrária para repôr a circulação. Após alguma confusão para toda a gente trocar (a senhora pálida esfumou-se simplesmente), este novo comboio parte. Chegando à estação seguinte, as pessoas ficam deveras à toa devido à chegada do comboio na linha contrária. O comboio apita para chamar à atenção, e após o fim da sua marcha os futuros passageiros do comboio fora de sentido começam a passar pela linha para apanhá-lo. Eis que durante esta travessia louca alguns com menos testa começam a gritar insultos ao inocente e deveras prestável maquinista que não tinha culpa de nada. Eu prosseguia pela plataforma quase sozinho com apenas uma senhora de idade à minha frente. Esta senhora ao ouvir os insultos começa a falar sozinha, e profere o seguinte: (segundo o que a minha memória me permite) “Estes gajos páqui a gritar, o maquinista não tem culpa de nada. Quem insulta é na verdade o que chama aos outros. Cambada de paneleiros!”

Depois de tal asserção platónica/cartesiana de alto nível e extramente complexa em que resumidamente disse “quem diz é que é”, esta senhora foi cair na esparrela de descer ao nível de quem acabar de corrigir, contrariando o que acabara de dizer!!! Foi magnífico observar isto, pois de seguida desmanchei-me a rir tentando fazer o mínimo barulho possível. Espectacular! Primeiro digo que estas gentes pouco educadas deviam pensar um pouco mais no que dizem e não insultar com tanta facilidade os outros, e depois largo uma bardajonice para a qual aparento (não) ter nível para a dizer e contradigo-me de forma tão espectacular que não há nada que me possa desculpar!

Mas voltemos à asserção platónica/cartesiana. Segundo a sabedoria tão mal consolidada desta senhora, “quem diz é quem é”. Por isso, ela acabou de se chamar lésbica de forma muitíssimo perjorativa.

Apesar de eu pensar que paneleiro se aplica apenas a homens. Mas acho que podemos deixar esse pormenor de género ser levado pelo vento provocado pelo traque mental desta senhora.

Afinal de contas, vamos desculpá-la. Ela disse “calem-se, porque quem diz é quem é.”

“Cambada de paneleiros!”.

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