Vi ontem o filme Avatar. Mais do que fazer uma crítica ao filme (já ouve quem a tenha feito) vou falar de uma crítica feita por outrem. E sobre o alarido que causou.
Esta crítica foi feita pelo especializadíssimo jornal "L' Osservatore Romano". Para aqueles que não sabem este é o jornal oficial do Vaticano. Sim, o Vaticano tem um jornal oficial e este jornal também faz críticas de cinema. Afinal de conta é preciso distrair os cerca de 7 leitores após todas as notícias referentes às várias ordens religiosas e sobre todos os debates teológicos tão necessários ao decurso da Humanidade.
Esta crítica começa por referir algo que acho óbvio (para quem viu o filme): os efeitos especiais são muito bons, o filme é visualmente muito bonito, mas a história deixa muito a desejar quando comparada com outros clássicos da ficção científica (é o problema de já ter visto esta história em qualquer lado). E depois descamba. Porque começa a dizer que, embora a mensagem de ambientalismo e de preservação do planeta seja boa, devemos ter cuidado porque senão podemos começar a olhar para a Natureza como algo que seja reverenciável ou como uma divindade e cair numa espécie de culto neo-pagão. "E isso é algo perigoso", dizem eles.
OK, primeiro que tudo, as pessoas que viram o filme estarão neste momento a deitar as mãos à cabeça. O termo divindade é usado num sentido muito largo. Mais largo que uma auto-estrada de 4 faixas. Os azulões são xamanísticos. Acreditam que os seres vivos estão todos ligados. Agora dizer que a entidade daí resultante é uma divindade é muito boa vontade.
Segundo perigoso???!!!! Já ouvi chamar a neo-pagãos muitas coisas (entre as quais uns quantos insultos) agora, de todas as religiões, o neo-paganismo é das que menos vejo possibilidades de lançar uma cruzada. Ou uma guerra santa (a não ser, é óbvio, que lhes tirem a possibilidade de fumar "ervas sagradas"). Será que eles querem dizer perigoso porque nos rouba fiéis? Isso é o mesmo que dois gajos criarem um MMORPG (se tal é possível de ser feito no tempo de uma vida) e a Bllizzard vir anunciar que tem medo que estes dois gajos lhe vão roubar quota de mercado... A sério estão assim com tanto medo?
Mas mais ainda, o que me custa a acreditar é que uma Igreja seja tão literal. Quem viu o filme admitirá que as personagens são tão estereotípicas e unidimensionais que não são credíveis como representação da realidade. E as histórias que utilizam este tipo de personagens são as histórias com uma moral por trás. Tipo parábolas. E elas costumam ser usadas naquela coisa que é utilizada para transmitir mensagens. Como é que se chama... Telemóvel... Não também é para transmitir valores... Correio... Não também não é isto... AAAHHHH religião. Pois. E os gajos religiosos não detectam uma parábola à frente dos olhos e a dar-lhes umas valentes trincas. Ou então têm medo que lhes roubem o exclusivo das parábolas. É quase tão ridículo como os gajos que dizem que o filme incentiva ao tabagismo porque a personagem da Sigourney Weaver fuma compulsivamente (porque também existem, meus amigos).
E aquilo que me deixa mais surpreendido é que ainda lhes dão tanta importância. Ao menos dêem-lhes importância quando fazem algo bem. É assim que se ensina os meninos não é? As recompensas são para quando se portam bem, não para as asneiras.
Uma dica para os gajos do Vaticano: é este tipo de imbecilidades que faz com que vocês percam quota de mercado. Isto e terem membros vossos com os membros dentro de meninos de coro. Ups se calhar não os devia ter lembrado disto. Ou das guerras santas. É que eles ficam chateados quando os lembram que eles são humanos e cometem erros.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
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