terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Comida nojenta

Mais vale tarde que nunca...
Ontem à noite descobri que um zoo algures nos EUA fez bastante dinheiro vendendo artesanato feito de caca de rena. Não, não me esqueci de nenhuma cedilha ou qualquer outra coisa que pudesse amenizar a coisa.
Eu sei que o leitor assíduo deste blogue poderá estar à espera que eu insulte directamente a inteligência das pessoas que compraram (não das pessoas que se lembraram de o fazer) este artesanato (algo tão simpático como comprar quadros feitos por um cão, isto também existe) ou que me pergunte como é que houve pessoas que de facto se lembraram disto. Mas não farei isso hoje. Não. Estranhamente (ou nem tanto visto que a minha mente funciona de forma estranha) este facto pôs-me a pensar sobre algumas coisas que nós consumimos ou utilizamos que são, se pensarmos bem nisso, tão nojentas como esta.
E não, não vou falar de coisas que nos parecem estranhas apenas por razões culturais. Embora haja coisas culturais que são mesmo estranhas como os ninhos de andorinha que os chineses usam em sopa. Esses ninhos não são feitos de galhos e folhas mas sim de saliva e regurgitado da andorinha. E vocês pensam: "Só mesmo esses malucos para comer regurgitado de um animal. E logo andorinhas que se alimentam de insectos". E eu respondo assim. Mel, gostam? Pois e sabem o que é o mel? Regurgitado de abelha. Isso mesmo, as abelhas têm o vómito mais doce do Reino Animal. Mas não deixa de ser vómito. Ah e feito a partir dos gâmetas masculinos das plantas. Ou seja sémen...
As moscas a todos nós fazem nojo. Pousam em fezes e alimentam-se de carne putrefacta. Mas camarão e lagosta são tão apreciados que são caríssimos. E no entanto eles alimentam-se de (adivinharam) animais em decomposição (também se pode dizer isto de cogumelos).
Outra coisa muito sui generis é o vinagre. O vinagre é, mais comumente, feito de vinho que deixa azedar. Ou seja estragar. Vinho esse que resulta da fermentação de uvas. Ou seja de um processo de decomposição. Coisa que nós deixámos que acontecesse para obter etanol. Produto tóxico para as nossas células. Pois, todo este processo é extremamente lógico.
Recentemente descobriu-se um método para isolar aroma de baunilha a partir de estrume de vaca. E testes cegos de consumidores não detectaram diferenças entre iogurtes (leite fermentado) com aroma natural ou isolado do estrume. Pensem nisso da próxima vez que comerem um iogurte...
E já para não falar das entranhas de animais em enchidos e patés e outros pratos. Ou do sangue para os apreciadores de arroz de cabidela. Ou do almíscar muito utilizado em perfumaria proviniente da urina de ruminantes. Ou do âmbar-cinzento usado em cosmética que é composto por substâncias expelidas por baleias que estão doentees (um pouco como as pedras dos rins). Não se importam que acabe por aqui a lista pois não?

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