Aqui há uns dias via esse grande programa de humor/notícias que é o Daily Show quando assisti a uma coisa digna de posta (afinal de contas, se a vida te dá limões faz limonadas, se a vida te dá estupidez põe postas). Antes de mais eu sei que recorrer que ao Daily Show, ou qualquer outro programa que goze com a situação nos EUA, é quase batota, pois está quase ao nível de recorrer ao Correio da Manhã (embora não tão mau como recorrer ao 24 horas ou a'O Crime). Mas, para me poder safar desta, farei um humor diferente daquele usado por John Stewart nesse programa.
As imagens exibiam um senador a falar (atenção vem aí uma brutal surpresa) no Senado (háhá aposto que não estavam nada à espera disto) a propósito de um julgamento que ia acontecer em Nova Iorque. Pendiam sobre o réu acusações de terrorismo, penso eu. O dito senador fazia um discurso a roçar o apocalíptico sobre as maldades que os terroristas fariam em Nova Iorque por causa do julgamento ser público e de se saber onde iria decorrer.
A ironia foi que ao longo do processo ia dando algumas ideias interessantes aos terroristas, tais como ameaçar ou raptar familiares de pessoas envolvidas no julgamento, tais como o carcereiro, o juíz, os polícias, o escrivão, etc.. A sério, só faltou o homem acrescentar quais os pontos que não eram cobertos pelas câmaras de vigilância e quais as horas de render da guarda. Deve ser porque ele não é o senador de Nova Iorque. Ele deve pensar que os terroristas não veêm televisão. Algo como, "Ah e tal, lá nas cavernas do Afeganistão onde estes gajos estão escondidos eles não devem ter TV Cabo, porque se tivessem já tinham rebentado à bomba com o centro de apoio ao cliente". Ou então deve pensar que eles não têem pachorra para ver o canal que transmite o Senado. Isso até poderia ser verdade se fosse o nosso canal parlamento. Esse sim é secante. O deles até se assemelha a um canal de comédia.
Contudo a razão porque a intervenção deste senhor foi digna de posta não foi esta, porque senadores a largar baboseiras é, infelizmente, o pão nosso de cada dia. A parte digna de aqui figurar (e isso é quase quase quase tão honroso como receber um prémio Darwin) foi que a páginas tantas o senhor diz "peço agora a atenção da audiência para o seguinte" num tom de professora primária que ralha com os seus alunos por estarem distraídos. O que já é muito deprimente. Quando se é político não se faz nenhum, mas convém disfarçar. Não se deve estar de tal forma distraído que o nosso colega de profissão nos chame a atenção com algo do género "opá eu sei que se pode não fazer nada aqui mas vê lá que até eu acho que estás a abusar e eu também sou político". Mas o pior é que a seguir a câmara faz zoom out e apercebemo-nos que na sala SÓ ESTÁ MAIS UM SENADOR. Ou seja, o único gajo que achou que valia a pena estar lá durante o discurso fartou-se. Uau isto é ser-se oficialmente chato. Ou ter o intestino grosso ligado ao cérebro. Ou ambos.
A única parte que me consegue deixar um pouco satisfeito é que de facto existe um sítio com uma maior taxa de absentismo que a da Assembleia da República. Ok não muito, só um bocadinho. Um conselho que deixo aos senadores norte-americanos é aprenderem com os nossos deputados. Façam discursos em que dizem, e passo a citar de um discurso de um deputado português, "você é um grande palhaço, e é o filho de mil pais, todos cabr**s cornudos como você". (Acho que o que está a seguir ao palhaço pode não ter acontecido, mas encaixa bem). Se não tiverem mais gente a assistir ao menos chamam a atenção do único gajo que vos está a ouvir...
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
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