segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Super-herói improvável

Aqui há umas semanas ajudei a organizar um congresso. Se me é permitido gabar a quantidade de elogios e agradecimentos que recebemos é sinal de que conseguimos fazer um trabalho bom.
Como membro do comité organizador tive direito a um par de t-shirts com o símbolo do congresso para ser facilmente identificável. Até aqui nada de interessante.
A verdade é que ainda as uso de vez em quando. Mesmo por baixo de outra roupa. E lembro-me do Super-Homem. Ou pelo menos das representações em que ele traz o seu fato de licra por baixo da roupa. E imagino que também eu me poderia transformar num super-herói. Ora imaginem...
“Um grupo de camones está perdido em Lisboa, sem hipótese de encontrar o que procuram. Desesperadamente olham para o céu em busca de uma possível ajuda. E, de súbito e vindo do nada, eis que surge: Membro da Comissão Organizadora do IBAC!!!! Ele toma conta da situação indicando-lhes o metro e os autocarros mais próximos, chamando veículos de fuga (táxis) e fazendo marcações nos hotéis mais próximos (sob pseudónimo para evitar perseguição por parte de bandidos). Em seguida entrga-lhes sacos especiais feitos de propósito em marte (o nome da empresa onde foram feitos, obviamente) e cheios com material de sobrevivência urbana (canetas, blocos de notas, mapas, indicações de restaurantes mais próximos, caixa de preservativos, baralho de cartas, canivete, pilhas, etc...) e um livro de actas especial que dá o dom de perceber de bioacústica a quem o ler. Brandindo o seu mágico cabo de rede com internet à borla e o seu telemóvel que dispara raios laser e jogos do iPhone, ele combate a seu arqui-inimiga: A DESORGANIZAÇÃO PORTUGUESA. E se com o seu novo conhecimento sobre bioacústica quiser dar uma palestra ou uma conferência? Tudo se arranja... microfones, sala, projector, até audiência surgem após alguns minutos e uns quantos telefonemas (com quais também arranjou patrocínios). Ainda incluídos estão uma viagem a Sintra e lugar marcado num restaurante típico (cupõezinhos no interior do saco). E no fim ainda recebem certificados de que foram salvos pelo Membro da Comissão Organizadora do IBAC e uma factura discriminada dedutível no IRS. E um curso de português com não só o uso de vernáculo mas também a forma correcta de pedir os melhores petiscos. Tudo para não se perceber que é um camone com guita e ser chulado nos preços. Ganda pinta”.
Agora já sabe, se vir uma pessoa com uma t-shirt azul-escura com um oscilograma em forma de peixe a dizer IBAC 2009 já sabe que entrou em contacto com uma boa pessoa. E que salva camones nas horas vagas...

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