domingo, 10 de outubro de 2010

Saltou-me a tampa

Uns dias após o acontecimento do post anterior deparei-me com mais um objecto colocado fora do seu contexto original. Falo nomeadamente de uma tampa de uma embalagem de um iogurte de aroma de pêssego (porque se fosse de pedaços seria completamente diferente) de marca que não vou revelar mas que sugerirei qual é dizendo que é um supermercado que sugere que o visitemos de um mês até ao mesmo mês enquanto sangramos dos ouvidos devido ao timbre estridente da senhora que nos incentiva a fazê-lo. E essa tampa encontrava-se colada na parede do túnel que permite o acesso à estação de metro da cidade universitária!
Antes de mais isto implica que alguém andasse na rua a comer um iogurte não líquido (não me atrevo a chamar-lhe um iogurte sólido pois também seria um exagero) o que não seria muito comum ou prático pois muito poucas pessoas andam na rua com colheres. Ou então usam alternativas ainda mais estranhas.
E esse alguém decidiu, por preguiça ou para deixar uma mensagem ao mundo, que o melhor sítio onde deixar a tampa de um iogurte seria colá-la à parede de um túnel de metro. Porquê é uma pergunta que já me massacrou tanta vez a cabeça que já desisti de lhe responder.
Mas aquilo que me preocupa é que, provavelmente, se isto fosse feito por algum artista acabado de sair da faculdade de belas-artes ou por alguém com dinheiro suficiente para pagar a alguns críticos aquilo seria considerado uma obra-de-arte, cuja sobreposição de elementos seria uma crítica à sociedade de consumo. Ou algo com palavras ainda mais caras. Afinal de contas alguém pagou balúrdios por uma tela com um rasgão. Alguém que ainda foi mais burro que a mulher do autor que a aceitou como uma prenda de anos.
Enfim talvez um dia eu tenha dinheiro suficiente para publicar um livro com o que aqui escrevo. E se pagar a críticos pode ser que alguém até ache que isto tem qualidade

Sem comentários:

Enviar um comentário