sábado, 29 de maio de 2010

Diário de um linuxófilo 1: a origem secreta

Tenho de confessar uma coisa: uso Linux! Sim, gentis leitores, deixem contar-vos como adquiri este vício terrível:
Quando entrei na Universidade (há uma quantidade de anos que se começa a tornar deprimente), comprei pela primeira vez um computador só para mim, sem ser em segunda mão! E, como todos os outros, instalei Windows 98 (e pouco depois Windows ME - uma experiência desagradável e curta). Sim foi assim há tanto tempo! E o computador funcionava o suficiente para escrever documentos, fazer cálculos no Excel, jogar UT e Starcraft. E tudo era bom. Mas rapidamente as coisas deixaram de ser boas. Pois eis que vieram os vírus e os trojans e todo o malware da Web, sim, até à quinta geração! E eu recorri a antivírus e antispyware e firewalls. E o meu PC arrastava-se sob o peso de todas estas batalhas épicas... Foi nessa altura que um professor me deu um CD que dizia RedHat 5 e disse "Experimenta isto e nunca mais terás de instalar um antivírus na vida"
A perspectiva de poder mandar o monsieur Norton às urtigas foi demasiada tentação para mim, e, numa noite escura e tempestuosa, recorri aos terríveis e arcanos rituais da criação de partições e da instalação de kernel, pacotes e LiLo. Quando terminei o meu terrível trabalho carreguei no botão, arranquei o PC e gargalhei maniacamente (trovões ao fundo) enquanto este carregava o novo sistema operativo! Não muitos dias depois, voltei a desinstalar tudo...
Percebem, não é que o sistema não fosse poderoso. Não fazia ideia do que era possível fazer com um PC até então (não, isso não, suas mentes devassas! ISSO TAMBÉM NÃO!)! Mas, por outro lado, não conseguia que o Linux reconhecesse a minha placa de som, mal conseguia ligar à Internet e cada icones ocupava meio monitor! Era difícil aprender assim!
Nos anos seguintes continuei a namorar o lado negro, ocasionalmente cometendo outra vez a blasfémia de dividir o disco rígido em dois e instalar o malévolo Linux lado a lado com a luz pura do Windows (por esta altura, 2000). Mas havia sempre algum problema que me estragava a festa, por isso voltava ao caminho recto da MS, resignando-me a pagar a salvação da minha alma com a instalação de muitas e pesadas ferramentas de segurança.
Até que, corria já eu o Windows XP, o meu sistema finalmente foi-se abaixo one time too many. Eu já tinha reparado que finalmente as versões de Linux que andavam por aí já conseguiam reconhecer a maioria dos dispositivos no meu computador e resolvi instalar o Ubuntu Linux 6. Para quem não sabe, pela sua própria natureza, o Linux pode ser configurado de muitas maneiras diferentes, e há uma série de organizações, empresas - e em alguns casos, indivíduos - que empacotam o Linux com configurações e programas compatíveis; a isto chamam-se distribuições e o Ubuntu é uma delas - o Red Hat é outra. Já mencionei que o Linux é completamente gratuito? Mesmo quando é vendido por uma empresa, é-o no contexto de uma assinatura que inclui apoio técnico, etc.
Bom, voltando à minha queda final no Linux... Desta vez o Linux funcionava quase perfeitamente! Não corria jogos, mas para isso continuava a ter uma instalação do Windows. Entretanto ia aprendendo a viver com um sistema que, por um lado, muitas vezes precisava de configurar com recurso à linha de comandos, mas que, por outro lado, me dava um poder muito maior...

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